Mal o Maranhão terminou de digerir as denúncias envolvendo o uso de recursos do Fundeb em Rosário e o ex-prefeito Calvet Filho, e uma nova história, com roteiro parecido e personagens conhecidos, começa a circular nos bastidores da política estadual. Desta vez, o cenário envolve Tuntum, Lago da Pedra e a pré-candidatura da deputada estadual Bruna Pessoa.
A denúncia, que já corre em rodas políticas e órgãos de controle, aponta para um suposto uso nada pedagógico de recursos do Fundeb. Em vez de reforçar salas de aula, valorizar professores ou melhorar a estrutura da educação básica, o dinheiro estaria servindo para algo bem mais prático no mundo político: manter aliados satisfeitos e alinhados.
A folha da educação que virou lista de apoiadores
Segundo as informações divulgadas, aliados políticos declarados da pré-candidata estariam recebendo salários pagos com recursos da educação de Tuntum, sem qualquer vínculo conhecido com a rede municipal de ensino. Os valores, curiosamente padronizados, variariam entre R$ 2.500 e R$ 5.000 — o suficiente para não chamar tanta atenção individualmente, mas expressivo quando somado.
Entre os nomes citados na denúncia estão:
- Samuel Uchôa e Felícia Martins, filho e nora do vereador Cícero Amaro, que declarou apoio público à pré-candidata. Ambos receberiam R$ 5.000 cada.
- Francisco das Chagas Vieira, conhecido como Francisco Paredão Pancadão, vereador de Lago da Pedra e apoiador político, com suposto pagamento de R$ 5.000.
- Raido Penha, apontado como apoiador, com R$ 2.500.
- Auleriane Penha, também apoiadora, igualmente com R$ 2.500.
Todos os citados, segundo a denúncia, orbitam politicamente o grupo do prefeito de Tuntum, Fernando Pessoa, irmão da deputada Bruna Pessoa. Coincidência? No Maranhão político, coincidências costumam ser tratadas com cautela.
Um método que se repete — e não é por acaso
O que chama atenção não é apenas a lista de nomes, mas o suposto modus operandi. A denúncia sustenta que a nomeação de aliados políticos na folha do Fundeb estaria sendo replicada em diferentes municípios, sempre com o mesmo objetivo: garantir apoio político à pré-candidatura de Bruna Pessoa à Assembleia Legislativa.
Vale lembrar que o Fundeb não é um “caixa livre”. Trata-se de um fundo federal com regras rígidas, destinado exclusivamente à educação básica e à valorização de profissionais da área. Usar esses recursos para fins político-eleitorais, se comprovado, ultrapassa a fronteira da irregularidade administrativa e entra no campo penal.
Apuração em curso e silêncio estratégico
Ainda segundo a denúncia, a Polícia Federal já estaria apurando os fatos, diante da suspeita de uso indevido de recursos públicos com finalidade eleitoral. Até o momento, nenhum dos citados — nem a deputada Bruna Pessoa, nem o prefeito Fernando Pessoa, nem os beneficiários apontados — se manifestou oficialmente.
O silêncio, por enquanto, fala mais alto do que qualquer nota.
Informação extra que complica ainda mais o enredo
Fontes também relatam que o ex-vereador Cícero Amaro teria sido denunciado à Polícia Federal por suposto envolvimento em escândalos relacionados ao INSS. Servidor concursado da instituição, ele teria sido citado como possível facilitador da atuação de grupos criminosos no serviço previdenciário. A informação amplia o grau de atenção sobre o núcleo político citado na denúncia atual.
Educação em segundo plano
Enquanto isso, o debate essencial segue escanteado: a fiscalização do Fundeb e a transparência na aplicação de recursos que deveriam estar garantindo educação de qualidade. Em período pré-eleitoral, o alerta se torna ainda mais urgente.
Depois do episódio envolvendo Rosário, a nova denúncia sugere que o problema não seria isolado, mas parte de um padrão que, se confirmado, revela uma estratégia de expansão política financiada com dinheiro carimbado para a educação.





